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Marquês de Sade | O Marido Complacente


Toda a França sabia que o príncipe de Bauffremont tinha mais ou menos as mesmas preferências do cardeal de quem acabo de falar. Haviam-lhe dado em matrimónio uma mocinha assaz inexperiente, e que, segundo era costume, só foi instruída às vésperas.

– Sem mais explicações, – diz a mãe – pois que a decência me impede de ocupar-me de certos pormenores, tenho uma única coisa a recomendar-vos, minha filha; desconfiai das primeiras propostas que vosso marido vos fizer, e dizei-lhe, veemente: Não, senhor, não é por aí que se aborda uma mulher honesta; em qualquer outro lugar que vos agrade, mas, certamente, aí não…

Vão ao leito e, por uma norma do decoro e da honestidade sem margem para dúvida, o príncipe, querendo fazer as coisas conforme com os costumes, ao menos pela primeira vez, oferece à sua mulher apenas os castos prazeres do himeneu*: mas a jovem bem educada, lembrando de sua lição:

– Por quem me tomais, senhor? – diz-lhe – pensais que eu consentiria essas coisas? Em qualquer lugar que vos agrade, mas, certamente, aí não…

– Mas senhora…

– Não, senhor, inútil insistirdes, nunca me fareis mudar de opinião.

– Pois bem, senhora, devo contentar-vos, – diz o príncipe apropriando-se de seus altares preferidos – eu ficaria bem zangado se dissessem que alguma vez vos quis desagradar.

E venham nos dizer agora que não é necessário instruir as moças quanto às obrigações delas, um dia, para com seus maridos!

*Himeneu, conhecido em latim como Hymenaeus ou Hymenaios, é o deus grego do casamento, filho de Apolo e de Afrodite.

Sobre Mim

MartaRainier

Bloguer autodidata registando por tudo querer aprender e saber, e nesse caminho recordar, aqui e agora neste caso, a memória de histórias antigas.




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